Embora a desigualdade de gênero
seja cada vez mais tida como algo superado, a partir das lutas do passado e da
incorporação da mulher no mercado do trabalho, nós mulheres sabemos como este
preconceito ainda está latente nos campos mais diversos e sempre nos atinge, dos
atos mais sutis aos mais violentos. Ainda no século XXI, metade
da população mundial continua a ser oprimida e excluída diariamente!!!!
Isto se configura na
divisão sexual do trabalho, onde as mulheres estão submetidas a uma dupla
jornada de trabalho, já que sempre somos nós que fazemos as tarefas domésticas,
além de estarmos sujeitas a uma nítida diferença salarial; nos trotes e piadas
machistas dos nossos colegas e professores, além do assédio sexual e moral por
parte destes; na violência física, psíquica e emocional e o
silêncio e a cumplicidade de grande parte da sociedade diante de tais atos; na
mídia que propagandeia o corpo feminino como um objeto de consumo; na ausência
de igualdade nos espaços de poder. O que só comprova que o modelo patriarcal e
machista ainda é dominante.
É inegável que muitas
coisas já avançaram, mas este avanço não se deu de forma espontânea ou
concedida, deu-se na luta que milhares de companheiras travaram ao longo da
história e ainda travam.
Por isto, algo fundamental neste 8 de
março é retomar o seu significado (já que a mídia o transformou) e avançar
nas pautas que vemos como emergentes tanto na nossa Universidade, como na nossa
sociedade em geral.
Hoje, o que vemos no Dia
Internacional da Mulher é a valorização da figura da mulher como algo especial,
da mulher santificada, da mulher mãe, da mulher trabalhadora (aquela que além
de trabalhar fora, ainda cuida da família) e a necessidade desta mulher ser
presenteada para compensar esta figura tão essencial/“especial” que ela é.
Dessa forma, mais uma vez, a figura
da mulher é utilizada para vender os produtos que a mídia propagandeia.
Mas nem sempre foi
assim... O Dia Internacional de luta das Mulheres vai surgir a partir
da necessidade de um dia em
que, em diferentes partes do mundo, as lutas das mulheres
estivessem como pauta principal, surgindo assim da 2ª Conferência
Internacional das Mulheres Socialistas. Por muitos períodos esta data foi palco
de inúmeras manifestações, desde a luta pelo voto universal do século XIX até
as atuais lutas, por exemplo, pelo direito a nossos corpos e condutas, nas
Machas das Vadias.
A universidade, um espaço que
reflete as contradições da nossa sociedade, também reproduz este sistema
patriarcal e machista, mas é nesse espaço - ao mesmo tempo - onde criamos condições
e lutas tão fundamentais, que vão contra este sistema opressor.
Na UEFS, apesar de termos um
Programa de Permanência Estudantil - o qual
é reclamado como um dos melhores do país - este não leva em
consideração as particularidades e necessidades das estudantes. Na prática, a
ausência de uma política de planejamento, dificulta que na residência universitária,
por exemplo, haja espaços garantidos para as estudantes-mães; na creche, só se
tem acesso a este quando ‘sobram’ vagas. Além disto, a universidade é palco de inúmeras
formas de opressão de gênero, e não há nenhuma política que reflita sobre isso
e nenhum espaço especializado para se fazer denúncias deste caráter.
Infelizmente,
ainda vivemos em uma realidade, na qual a responsabilidade do cuidado do filho
é exclusivamente da mãe e isto limita muitas mulheres não apenas de estudar,
mas de participar ativamente de outras esferas das relações sociais. E para avançarmos nesse debate, convidamos
TODAS E TODOS para, no dia 14 de março,
às 16:30h, no Auditório II, Módulo I
participar de um cine debate sobre machismo e uma discussão sobre políticas de
permanência estudantil que reflita as particularidades das mulheres.
Avante na luta COMPANHEIRAS
E COMPANHEIROS!
Diretório
Central dos Estudantes
Gestão OUSAR REORGANIZAR
A LUTA CONSTRUINDO SONHOS - 2011/2012
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